Por Fernando Bueno
Engenheiro e Colecionador
Com edição de Ricardo Seelig
Collector´s Room
Há trinta anos atrás, nascia na Inglaterra uma cena musical que influenciaria todos os outros movimentos relativos à música pesada que foram surgindo em outros locais do mundo com o passar dos anos.
A influência da NWOBHM pode ser medida por alguns aspectos, como o fato de ser possível identificar entre as diversas músicas que recheiam esses álbuns muitas das fórmulas que seriam utilizadas ao longo da década de oitenta na construção de vários outros gêneros do heavy metal, como o thrash da Bay Area e até mesmo o hard rock californiano.

Um fato interessante, e que poderia até mesmo ter mudado a história do heavy metal, é que durante uma turnê com bandas novas o Angel Witch simplesmente abandonou a excursão e a gravadora EMI, deixando o Iron Maiden como o nome principal da gravadora. Quem sabe se eles tivessem continuado as coisas não seriam diferentes?

É desse disco a faixa "Rock Brigade", cujo título serviria para batizar a lendária revista brasileira, que certamente foi companheira de muitos dos leitores da Collector´s Room. Para os que ainda torcem o nariz para o Def Leppard por só conhecerem "Love Bites", recomendo darem uma chance para esse disco e ao seu sucessor, o também muito bom High´n´Dry, lançado em 1981.

Conhecer o Diamond Head é obrigação para quem quer se aprofundar na NWOBHM, porém o motivo do grupo não ter se consolidado foi talvez a mudança de direção musical ocorrida no terceiro disco – Canterbury, de 1983 -, que distanciou os fãs. Isso, somada à enorme concorrência das bandas do estilo naquela época, acabaram colocando o grupo em segundo plano.

Se alguém pegar todos os discos dessa lista e ouvi-los em sequência certamente irá perceber que os riffs, o modo de tocar e de cantar são semelhantes, mostrando que, por mais que a banda tenha tido muito mais sucesso e reconhecimento que as outras, a raiz de todos os grupos foi a mesma. Difícil citar destaques nos discos do Iron Maiden, mas “Phantom of the Opera” e “Prowler” são demais.

É difícil destacar alguma música no meio de tantos clássicos, mas não posso deixar de citar "Breaking the Law", que poderia até ter sido o título do LP tamanha a identificação da faixa com o disco. Também tem "Metal Gods", que se tornou a alcunha da banda – e principalmente de Rob Halford -, e "Living After Midnight" , que de tão boa acaba com qualquer possível discussão sobre se é pop ou não.
Os destaques são "Armed and Ready", "Victim of Illusion" e "Lost Horizons", esta última com uma fórmula que seria utilizada à exaustão futuramente por todas as bandas do metal melódico.
"Hard Times", "Vice Versa" e "Walking Out On You", essa última bem hard setentista, são os destaques. Ao ouvir o disco pela primeira vez alguns vão reconhecer a faixa “Thunderburst”. Sim, é a mesma “The Ides of March”, introdução do álbum Killers, do Iron Maiden. A música foi composta em parceria por Steve Harris e Thunderstick, baterista do Samson na época e que chegou a integrar o Maiden.
Os destaques são "747 (Strangers in the Night)", "Stand Up and Be Counted" e a hard "Suzie Hold On".

Wild Cat é um disco que contém todas as características que podem ser usadas para descrever a NWOBHM. Quem quer conhecer o heavy metal oitentista tem que conhecer esse álbum. Como destaques, além da já citada “Euthanasia”, temos "Don’t Touch Me There" e "Money".
Para aqueles que acham que esse LP aparece nessa lista apenas por esta ser uma banda que contava com Janick Gers na guitarra, está enganado e precisa urgentemente ouvi-lo. Como outros grupos da época, o White Spirit tinha uma sonoridade ainda não muito definida, com muitas músicas com um jeitão de hard rock, mas, como disse anteriormente, essa é uma característica dos discos lançados na época.
O grupo costumava abrir shows da banda solo de Ian Gillan, que se impressionou com Janick Gers e o convidou para se juntar a sua Ian Gillan Band. Ao se deparar com essa proposta irrecusável, Gers deixou o White Spirit, fato que acabou servindo para encerrar a banda.
Destaque principal para "Fool For the Gods" e "Way of the Kings". Também merece menção a faixa de abertura, que tem um riff muito parecido com outra música de uma banda posterior do guitarrista.
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